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Doenças periodontais
Pesquisa do Instituto de Ciências Biológicas da UFMG quer mapear microorganismos causadores das doenças periodontais e contribuir para o tratamento de um mal que pode provocar perdas dentárias.
O que faz com que algumas pessoas percam dentes aparentemente saudáveis e que tenham gengivas inflamadas, que sangram e exalam mau cheiro? A causa pode vir de algumas doenças de nome pouco conhecido para a maioria da população, mas de alta incidência principalmente entre os adultos. São as chamadas doenças periodontais, causadas por microorganismos que atacam e danificam o tecido de suporte dos dentes e cujo metabolismo produz substratos como o pus e substâncias mal-cheirosas.
Avaliar os tipos de microorganismos que provocam a doença periodontal crônica, que acontece com adultos, e a doença periodontal agressiva, que atinge os jovens, é o objetivo do projeto "Avaliação da ocorrência de periodontopatogenos em sítios periodontais de pacientes brasileiros, por cultura microbiológica e por método molecular" desenvolvido no Laboratório de Microbiologia Oral e Anaeróbios do Instituto de Ciências Biológicas ICB/UFMG.
O estudo, coordenado pelo professor Luís de Macedo Farias, analisou a ocorrência de nove espécies bacterianas diferentes em 30 pacientes com periodontite crônica, 30 com periodontite agressiva e 30 pessoas sem a doença. A avaliação foi realizada através de dois métodos diferentes: por cultura microbiológica, ou seja, através da coleta e desenvolvimento de bactérias em condições adequadas em laboratório; e pelo método da biologia molecular, no qual é recolhido o DNA dos microorganismos e esse é identificado nas amostras dos pacientes. Segundo Márcia Almeida Lana, professora da PUC de Minas Gerais, e que desenvolveu sua tese de doutorado sobre o tema do projeto, a pesquisa constatou que existiam diferenças nos tipos de microrganismos encontrados nas duas doenças, ou seja, alguns microorganismos prevaleciam na doença do adulto e outros na doença do jovem. Outra conclusão foi a de que os microorganismos presentes em pacientes com os dois tipos de doenças também podiam ser encontrados em pessoas com o tecido periodontal saudável, mas em quantidade muito menor.
Márcia explica que o resultado da pesquisa confirmou, através do método de cultura microbiológica, que quatro espécies bacterianas estavam relacionadas à ocorrência de periodontite crônica e três espécies estavam relacionadas à ocorrência de periodontite agressiva. Utilizando o método da biologia molecular, foi comprovado que seis espécies diferentes estavam relacionadas à periodontite crônica e cinco à agressiva.
Márcia pondera que esse resultado não significa que somente esses microorganismos sejam os responsáveis pelas duas doenças periodontais estudadas. "Tínhamos a idéia de pesquisar microrganismos específicos, que a literatura já indicava como possíveis causadores da doença. O que fizemos foi comprovar quais desses microorganismos eram os principais causadores das doenças", disse.
O coordenador do projeto explica que as doenças periodontais são provocadas por microorganismos que colonizam o tecido periodontal da maioria das pessoas e fazem parte da chamada "Microbiota indígena da cavidade Oral". O que faz com que a doença se desenvolva em alguns indivíduos, e em outros não, é a multiplicação exagerada desses microorganismos, o que pode acontecer devido a fatores como o fumo, alterações no sistema imunológico, algumas doenças como diabetes e Aids, má higienização e a alguns fatores de origem genética, relacionados principalmente a capacidade de resposta e de defesa de cada indivíduo. "Além de provocarem perdas dentárias, essas doenças podem gerar alterações no corpo do indivíduo, como problemas cerebrais e cardíacos, partos prematuros, abortos, e nascimento de crianças de baixo peso", completa.
Mais que comprovar quais microorganismos se relacionavam mais com a ocorrência das doenças, o projeto desenvolveu, ainda, um estudo sobre antibacterianos específicos para esses microorganismos, a fim de que o tratamento dos pacientes seja mais eficiente e ataque diretamente as bactérias causadoras da doença. "É preciso monitorar quais bactérias são responsáveis pela ocorrência da doença e identificar a quais antibióticos elas são sensíveis" explica Luís de Macedo. "O uso indiscriminado de antibacterianos mata alguns microorganismos, mas deixa outros resistentes ao tratamento", conclui.
Além da atuação dos professores Luís de Macedo e Márcia Lana, o projeto é subcoordenado pela chefe do Laboratório de Microbiologia Oral e Anaeróbios, professora Maria Auxiliadora Roque de Carvalho, e conta com a colaboração dos professores Edilberto Nogueira Mendes, da Faculdade de Medicina da UFMG, e Paula Prazeres Magalhães, do Departamento de Microbiologia do ICB, membros do Laboratório de Diagnóstico Genético de Doenças Infecciosas. Além disso, teve a participação do professor Jacques Robert Nicole e do estudante de pós-graduação Rodrigo Estevão Teixeira.
Autores: Professor Luis de Macedo farias Macedo@icb.ufmg.br
Professora Márcia Almeida Lana mlana@terra.com.br
Fonte: Site da FUNDEP
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